Espetáculo “Paragem” transforma desafios da mobilidade urbana em dança contemporânea no Sesc Copacabana
Montagem inédita estreiou em 8 de outubro e propõe uma reflexão sobre desigualdade, acessibilidade e o direito à cidade. Temporada segue até 18 de outubro, com oito apresentações, todas com Libras e audiodescrição.

Quais corpos enfrentam mais obstáculos para circular pela cidade? E para quem, afinal, os espaços urbanos são planejados? Essas questões conduzem “Paragem”, espetáculo inédito de dança contemporânea idealizado por Júlia Fernandez e Luna Leal, que estreiou em 8 de outubro de 2026, no espaço Multiuso do Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. A temporada contará com oito apresentações acessíveis, com intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescrição. Contemplada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, a montagem tem produção da eLabore.Kom.
Ao transformar experiências cotidianas de deslocamento em matéria coreográfica, “Paragem” aproxima dança, cidade e cidadania. A obra propõe uma reflexão sobre a mobilidade urbana para além do transporte, destacando como o acesso aos diferentes territórios interfere diretamente nas oportunidades de trabalho, educação, saúde, cultura e lazer.
A montagem parte de uma pergunta aparentemente simples como nos deslocamos pela cidade? - para abordar questões sociais mais amplas: quem consegue circular livremente? Quais corpos encontram mais barreiras? Quanto tempo da vida é consumido nos trajetos? E quem tem o direito de ocupar os espaços urbanos?
Com sete cenas, o espetáculo transforma em movimento situações presentes na rotina de milhares de pessoas, como longos deslocamentos, períodos de espera, barreiras físicas e sociais e desigualdades no acesso aos diferentes territórios da cidade.
Da experiência nos transportes públicos à dança
A pesquisa que dá origem a “Paragem” nasce das experiências das idealizadoras nos transportes públicos e se desenvolve a partir da observação dos passageiros, dos sons e das situações que atravessam esses ambientes. A proposta busca reconhecer a dança presente nos gestos cotidianos e transformar essas experiências em linguagem artística.
“Em Paragem queremos recriar os estados, remontando histórias cotidianas que deslizam entre memória e esquecimento. Paragem é o sonho de Central Deriva, só que vindo depois. A proposta é enfatizar os estados de suspensão no meio da correria do dia a dia, aquele devaneio que surpreende e te pega no meio da passagem”, comenta Júlia Fernandez.
A obra é um desdobramento de “Central Deriva”, projeto concebido originalmente para realizar apresentações em plataformas de trem do estado do Rio de Janeiro. Em “Paragem”, as experiências e investigações anteriores ganham novos contornos, explorando as sensações, tensões e contradições vividas por quem utiliza os transportes públicos.
No palco, o corpo funciona como território e instrumento de investigação. Ações como caminhar, esperar, embarcar, atravessar e chegar ajudam a construir uma narrativa artística sobre um tema que ultrapassa a infraestrutura urbana: o direito à cidade.
Desigualdade e direito de circular
Para Luna Leal, o espetáculo busca aproximar o público das diferentes experiências de deslocamento e das desigualdades que marcam a vida urbana.
“Eu espero que Paragem chegue ao público como uma experiência de encontro e de reconhecimento. A cidade é atravessada por todos nós, mas cada corpo experimenta seus deslocamentos de uma maneira diferente. O espetáculo nasce desse olhar para os corpos que circulam, esperam, atravessam, disputam espaço e, por vezes, precisam parar”, afirma.
A idealizadora também destaca como as desigualdades sociais influenciam o tempo gasto nos trajetos e as barreiras enfrentadas por diferentes pessoas. A partir dessa perspectiva, a montagem convida o espectador a refletir sobre suas próprias vivências, memórias e percepções da cidade.
“Tudo o que foi experimentado e construído para aquele trabalho agora ganha outros contornos, aberturas, caminhos. São novas formas de ver o mesmo. Desejo que o espectador seja atravessado pelas questões levantadas, que acesse memórias, texturas, cheiros e sonhos. Paragem é um convite para sonhar”, conclui Luna.
Acessibilidade dentro e fora do palco
A acessibilidade é um dos eixos centrais do projeto. Todas as apresentações contarão com intérprete de Libras e audiodescrição, além de ações de mobilização e sensibilização voltadas especialmente às pessoas com deficiência.
A iniciativa prevê ainda transporte para esse público, buscando enfrentar uma das contradições relacionadas ao acesso à cultura: não basta garantir recursos de acessibilidade dentro do teatro se as dificuldades de deslocamento continuam impedindo parte da população de chegar ao espaço cultural.
A composição da equipe também acompanha essa proposta, reunindo profissionais diversos, com predominância de mulheres e participação de pessoas com e sem deficiência.
Ao levar essas questões para o palco, “Paragem” utiliza a dança contemporânea para ampliar o debate sobre mobilidade, inclusão e cidadania, convidando o público a observar a cidade a partir de diferentes corpos, trajetórias e experiências.
Ficha técnica
- Realização: Sesc Rio
- Idealização: Plataforma Central Deriva
- Produção: eLabore.Kom
- Direção artística, coreografia e dança: Júlia Fernandez e Luna Leal
- Codireção: Henrique Manoel Pinho
- Cenografia: Sara Fagundes
- Figurino: Alice Cruz
- Assistência de figurino: Silvana Rocío
- Iluminação: Wladimir Alves
- Trilha sonora: Lucas Torres
- Direção de produção: Kirce Lima
- Produção executiva: Luana Bezerra
- Gestão financeira: Jacqueline da Silva
- Fotografia: Natália Anjos
- Cinegrafia: Bruno Menezes
- Assessoria de imprensa: Alessandra Costa
- Gestão de mídias sociais: Marcela Cavalcanti
- Consultoria de acessibilidade: Vanessa Buna
- Interpretação de Libras: Árvore Vicente
Serviço
Espetáculo: Paragem — dança contemporânea
Temporada: 8 a 18 de outubro de 2026
Dias: quinta-feira a domingo
Horários: quintas e sextas, às 19h; sábados e domingos, às 17h
Local: Multiuso do Sesc Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro (RJ)
Ingressos:
- Inteira: R$ 40
- Conveniados: R$ 36
- Conveniado empresário: R$ 31
- Credencial Plena Sesc: R$ 28
- Meia-entrada: R$ 20
- Gratuito para o público PCG
Classificação indicativa: 14 anos
Acessibilidade: todas as apresentações com Libras e audiodescrição.
Informações: (21) 3180-5226
Bilheteria: terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 19h.
